Entre um piscar e outro entornei meu olhar, como se já sabia o que me esperava, sobre toda a cena que descreverei agora.
O espaco externo era área basicamente industrial onde se encontram também, algumas edifícios, a maioria abandonados, mas não muitos. Estavamos em um posto de gasolina, provavelmente viajando; eramos três, ate onde me recordo, eu, renata e o seu namorado, digo, seu antigo namorado. Apesar de estarmos cercados de cinzas, indústrias e edifícios, estes não se caracterizavam como algo que preencha qualquer espaço interno. Era como se estivéssemos no sertão, quente, vazio, seco, onde as leis do estado e o estado ainda naum chegaram, morreram de sede. Onde as pessoas, talvez pela dura casca, sejam mais difíceis de alcançar.
Os entre-espacos estavam um turbilhão: divergências, idéias, tentativas de quebrar a inércia, achar o caminho correto e outras sequências de pensamento da mesma natureza que residem mais no espaco interno, mas sao definitivamente importantes para o espaco-entre-os-espacos.
De qualquer forma, enquanto me focava na face do ze' que dizia: "estamos bem, tenho uma ideia!" seu corpo era dilacerado por um caminhao que corria em alta velocidade na rodovia. De relance vi seus restos, não quis olhar, comecei então a andar no acostamento, sem muito desespero, sem muitas coisas na cabeça, continuei andando até acordar...
Wednesday, 7 November 2007
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