Friday, 7 August 2009

Lua Mansa

Homem com ou sem asas, aprendeu a voar com os pássaros, a viver e a morrer com a vida. A luz da lua naquela noite, engolido, por livre e espontânea vontade pelo pássaro cujo nome letras e números se confundem, trespassava o invólucro, podendo assim enxergar o exterior. A aventura, por assim dizer, de estar segurando nas crinas da história, voando, visitando, tentando entender as respostas do meio aos meus atos, deixou-me olhos-grudados e, por acaso, poltronas vazias.

Filhos do dia com os pés na terra não temos asas, gritamos por ajuda, voar é o que aprendemos, como se segurássemos a respiração, esperando por chegar. Não somente os que não estão com os pés no chão, mas também os que com a mente nas estrelas, nas suas pesquisas, andam.

Sigam-nos sentidos, vocês nos põem a andar ou andamos por lhes perseguir? Vencer o que? Correr pra onde? Intelectuais de merda, vaidosos como eu, talvez por estar longe do topo falo, digam para onde seguir, ninguém mais os ouve. Perdidos olhando para fora, tentamos entender o nossos mundos de dentro; em vão. Mas obviamente este não é o seu caso, você faz o que se deve fazer.

Ainda rascunho, continuará rascunho.

noite

Wednesday, 15 July 2009

Meus dentes e o tempo

no rabo do tempo
estou com meus dentes cravados;
talvez se ele,
esquio, não fizer muita confusão;
eu continue lá . . .
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(no contexto de que)
quase se parecem poucos dias antes da sua partida
tento me tornar maduro sem amadurecer
os dias correm velozes, e eu, e você comigo
(acho quase tudo...)
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Friday, 19 December 2008

Saudades do Brasil

A saudade me puxa o rabo,
tem dentes grandes afiados mas é calma e tranquila;

Neste caso, para não ser acusado injusto e fazer jus a ente de tamanha importância,
companheira de poemas, artistas, bêbados, escritores, todos aos quais falta alguma coisa, ou mais de uma;

... enche os copos, preenche coracões amputados, enforca uns e ilumina outros;

Mas não é nada, nada de nada, e talvez por isso possa se tornar algo, sem o hospedeiro;

Wednesday, 26 November 2008

Nao me calo

Nunca consegui me separar calado,
e pensar calado;
não menos triste, no entanto não tão freqüente, ouvir calado.

Sinto que pode faltar alguma coisa,
sem dúvida falta e sempre faltará;
mas continuo.

As palavras guardadas com o tempo,
as lembranças enferrujadas, com o tempo, só restos;
restaurados com outrem.

Elas queridas, ao menos se mantém, como formas e desenhos,
ou nem isso… ao longe me vingo com vans espetos;
espinhos sob meus pés.

Sunday, 14 September 2008

...por onde começar?

Limpei todas as superfícies tangíveis jogando o que o farrapo não absorveu, quase todas as partículas visíveis, no chão. A sensação de limpeza é perceptível principalmente quando elevo sensivelmente o horizonte, onde meu olhar não alcança o piso.

O piso... o limparei em algumas horas, mas se não o fizer, como bônus fico ainda esnobe com o nariz em pé, escondendo o soalho do meu olhar. Talvez por isso ao esnobe não sobre nem o que excreto, assim ele, o que não excreta, tem de elevar cada mais o seu ser para esconder sua própria sujeira e dela não se contaminar.

Saúdo com carinho, quando posso, quando o percebo, aparente e belo, adoro seu cheiro e lembrá-lo em meio a desejos mundanos, quão vasta a diversidade e... do nosso mínimo divisor comum.

Desculpe-me a agressividade disfarçada nas arestas, continuo sempre a me comunicar e recuperar de erro algum ou aceitar a insustentável, muitas vezes sem-sentido e nexo, via do meu contemplar.

Saturday, 5 July 2008

Bolo de Fubá

Ontem não era necessário o uso de nenhuma parafernália tecnológica para me fazer te ouvir com calma e atenção surpreendentes.

Já meio sem idéias culinárias para me alimentar, sem me aborrecer, escuto de longe ruídos, de certa forma palavras, decodificadas pelo meu estranho estado naquele momento como: bolo de fubá!

Grande idéia, melhor ainda porque poderia se tornar rapidamente real, desde que ainda nos resta, no fundo do armário, em um saco plástico transparente, meio quilo de fubá. Rápido mergulho natural na teia de informações, pesco uma receita. Cozinhada provou, definitivamente deliciosa, era mais ou menos assim: misture tudo, unte a forma e coloque no forno por 40 minutos. Agora o tudo:

4 ovos grandes
1 copo de queijo ralado (gostei de misturar um pouco de queijo fresco picado em cubos)
quase 1/2 copo de óleo
1 copo de farinha (talvez mais um terço)
1 copo de fubá
1 colher de sopa de fermento
1 copo de leite
quase 1 copo de açucar

Sunday, 29 June 2008

O Muro

As vezes me afasto da fronteira do meu ser que conheço; tudo corre relativamente bem, terreno plano, asfalto - coisa de humano, liso.

Sempre que me aproximo, espio cuidadosamente, descansando os olhos ressabiados em pensamentos; o outro lado parece perigoso. Lá o medo e os desejos são livres a caminhar, mesmo que rabugentos, sujos e violentos, existem sem sinal, não suficientemente claro, de opressão. Lá o amor, libertino, goza na boca do ódio; se amam.

O muro é alto. De vez em quando, no entanto, um ou outro já cansado de viver na sua respectiva banda, a custa da venda em parte do seu caráter, a trespassa. Já não é o mesmo, mas posso ver nos seus olhos, a sua origem; acolho à sua chegada.

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O muro tem sua razão, mesmo que não a entenda em toda a sua amplitude; de fato o aprecio. O tênue limite da suposta loucura; será esta loucura o não aceite dos meio imigrantes vendidos? Talvez o não aceite interno e externo, social, por comportamento dito anti-social, agrave o problema - mas este continua.