Saturday, 20 October 2007

AE - Numero 1

... de um lado para o outro, o outro não pode ver o um, a não ser que vire a cabeça. Lentamente começo a mexer os olhos, as imagens ainda sem foco por não mais que alguns milésimos de segundo. Pensamentos como barcos no oceano vem e se vão rapidamente, alguns consigo perceber a silhueta, suas cores e velocidade, menos ainda são os consigo me lembrar. Será que consigo piscar o meu ouvido? Talvez fisicamente requeira alguma prática ou talvez, como alguns apontam verdade cintífica, apitidão genética. Mas em um certo sentido consigo piscá-lo, se me focar, digo esquecer do outro lado e somente escutar do um. E se rodar os meus olhos em direcões opostas, acontecerá algo diferente? Então o faço. Nada, aparentemente, mas a dúvida sempre emergente. Será falta de foco ou sensibilidade, ou mera realidade comprovada? Acabo por pensar que experimentos realizados com pensamentos nascem, crescem e morrem em somente uma realidade específica, uma cabeça. Conseguimos porem realizar estes experimentos em um ambiente controlado quando isolamos certas variáveis, que obviamente são também pensamentos. Talvez a preparação inicial do ambiente seja como os budistas comecam, pelo vazio. Mas sem dúvida somente o vazio é completamente vázio e não suficiente, apesar da sua conexão com o todo. Sim, talvez não seja necessário ambiente completamente controlado e vazio, mas apenas com menos variáveis, ou pelo menos a consciência delas. Já acordado, hoje não por meu despertador, que também serve de celular, mas por estes pensamentos, percebo que quero dar vida a algum experimento, com certeza diferente de mim, mas com algumas similaridades. No entanto, qualquer semelhança com a realidade não deve ser confundida com a própria nos próximos episódios de AE.

Wednesday, 3 October 2007

Outro processo?

Deitado, pesdescalços, olhos fechados, mente aberta tentando se fixar, ao mesmo recordar do sonho ao amanhecer do dia. Um amigo, Guilherme, a muito não vejo, penso as vezes nem preciso, chegara na cidade.

Penso agora: entre uma memória e outra, o espaço, preenchemos com nós mesmos. Desta forma, meio por acaso, singulamos a nossa história.

Andando por becos, ruelas, sempre conversando, estavamos procurando algo. Era objeto grande, de utilidade, como uma casa, um bar, um lugar. Já meio cansados e perdidos decidimos ao acaso pedir informação. Lugar muito não havia, apenas esperanças, como a pequena porta caida à grande escadaria que se abria. Sem muitas palavras entramos. A casa não tinha portas, os quartos eram como salões escavados, as cores, frias, as palavras ecoavam sem respostas. Meio assustados decidimos abandonar o recinto quase ao mesmo tempo em que escutavamos alguém subindo pelas escadas e vissemos alguém saindo de um dos quartos. Completamente embarassados tinhamos poucas palavras, menos ainda frente ao discurso fluente dos nossos novos companheiros.

O que andam fazendo em moradia particular desconhecida como esta? Existe alguma razão senão as mal intencionadas que me veem a cabeça? Promptamente, a resposta na ponta lingua soando como uma desculpa: Não podemos sair. Vocês tem que pagar pelo menos o seguro já que não temos certeza se levam consigo alguma coisa de dentro da casa. Levamos lembranças, informações, pensei, mas não temos o dinheiro.

Não os conhecia, não os queria perto, disse então: vamos à uma delegacia de polícia. Já eram duas ou três da manhã, mas os homens concordaram sem pestanejar como se estivessem completamente corretos. Rapidamente estavamos todos dentro de um carro muito velho dirigido com dificuldade por um dos acusantes. Antes que o carro parasse por mal funcionamento ou cuidado descemos em um lugar bonito. Completamente descampado, onde correr não fazia nem sentido, corremos bastante, talvez na vã tentativa de escapar; não escapamos. Voltamos para a casa, Guite já estava lá dentro, eu ainda hesitava em entrar. Um dos inquisidores muito calmamente me convencia que não havia outra opção, eu sem conseguir enxergar outra saída, entrei.

A sua gloriosa satisfação

Tudo certo, folhas já caidas, o dia ainda manso, eu tentando voltar para casa... digo tentando mas o tentar não durou mais que alguns minutos já que as opções não eram estranhas para mim. As cinco e meia da matina achei um onibus especial que, apesar de caro, me deixaria a 20 minutos de casa. Enquanto esperava resolvi conversar um pouco com o vendedor de tickets. Fato ocorrido não porque o quase automato exibisse qualquer traço amigavel, mas sim pelo oposto fato. Sua face inóqua nunca sorria, muito menos se contorcia em desgosto, como um rôbo ele respondia as peguntas a ele direcionadas seguindo, até onde conseguia perceber, precisamente todas as regras previamente a ele atribuidas. Começei então uma daquelas conversas totalmente impessoais, inicialmente sem sentido, superficialmente sem razão, perguntando se ele tinha comecado o trabalho agora ou estava terminando. A conversa continua:

- Comecei às 5 da manha, boa hora para comecar não eh?
- Eh, boa hora, começando cedo termina cedo.
- Não, termino sempre tarde.
- Bacana, assim você pode ter mais folgas ou mais dinheiro no bolso.
- Não trabalho por dinheiro, trabalho por satisfação;
- Éh, mas precisamos do dinheiro (achei quw ele estava brincando apesar da sua face inalterada)
- Precisamos, mas não devemos trabalhar PELO dinheiro (pensamento magnífico, compartilhado por mim, que sempre tento o colocar em prática)

Então eu disse que concordava plenamente já sem entusiasmo. Um pouco antes de embarcar ele disse mais alguma coisa que eu não entendi, olhei para as suas palavras completamente exausto, não era hora para as compreender.

De cima a baixo o que restou em mim não foi mais que infelicidade. Satisfação pessoal lida em livros de auto-ajuda, não sei. Outra forma de satisfação, sei menos ainda. Desde que não consegui ler, aparte do vazio, você.