Friday, 19 December 2008

Saudades do Brasil

A saudade me puxa o rabo,
tem dentes grandes afiados mas é calma e tranquila;

Neste caso, para não ser acusado injusto e fazer jus a ente de tamanha importância,
companheira de poemas, artistas, bêbados, escritores, todos aos quais falta alguma coisa, ou mais de uma;

... enche os copos, preenche coracões amputados, enforca uns e ilumina outros;

Mas não é nada, nada de nada, e talvez por isso possa se tornar algo, sem o hospedeiro;

Wednesday, 26 November 2008

Nao me calo

Nunca consegui me separar calado,
e pensar calado;
não menos triste, no entanto não tão freqüente, ouvir calado.

Sinto que pode faltar alguma coisa,
sem dúvida falta e sempre faltará;
mas continuo.

As palavras guardadas com o tempo,
as lembranças enferrujadas, com o tempo, só restos;
restaurados com outrem.

Elas queridas, ao menos se mantém, como formas e desenhos,
ou nem isso… ao longe me vingo com vans espetos;
espinhos sob meus pés.

Sunday, 14 September 2008

...por onde começar?

Limpei todas as superfícies tangíveis jogando o que o farrapo não absorveu, quase todas as partículas visíveis, no chão. A sensação de limpeza é perceptível principalmente quando elevo sensivelmente o horizonte, onde meu olhar não alcança o piso.

O piso... o limparei em algumas horas, mas se não o fizer, como bônus fico ainda esnobe com o nariz em pé, escondendo o soalho do meu olhar. Talvez por isso ao esnobe não sobre nem o que excreto, assim ele, o que não excreta, tem de elevar cada mais o seu ser para esconder sua própria sujeira e dela não se contaminar.

Saúdo com carinho, quando posso, quando o percebo, aparente e belo, adoro seu cheiro e lembrá-lo em meio a desejos mundanos, quão vasta a diversidade e... do nosso mínimo divisor comum.

Desculpe-me a agressividade disfarçada nas arestas, continuo sempre a me comunicar e recuperar de erro algum ou aceitar a insustentável, muitas vezes sem-sentido e nexo, via do meu contemplar.

Saturday, 5 July 2008

Bolo de Fubá

Ontem não era necessário o uso de nenhuma parafernália tecnológica para me fazer te ouvir com calma e atenção surpreendentes.

Já meio sem idéias culinárias para me alimentar, sem me aborrecer, escuto de longe ruídos, de certa forma palavras, decodificadas pelo meu estranho estado naquele momento como: bolo de fubá!

Grande idéia, melhor ainda porque poderia se tornar rapidamente real, desde que ainda nos resta, no fundo do armário, em um saco plástico transparente, meio quilo de fubá. Rápido mergulho natural na teia de informações, pesco uma receita. Cozinhada provou, definitivamente deliciosa, era mais ou menos assim: misture tudo, unte a forma e coloque no forno por 40 minutos. Agora o tudo:

4 ovos grandes
1 copo de queijo ralado (gostei de misturar um pouco de queijo fresco picado em cubos)
quase 1/2 copo de óleo
1 copo de farinha (talvez mais um terço)
1 copo de fubá
1 colher de sopa de fermento
1 copo de leite
quase 1 copo de açucar

Sunday, 29 June 2008

O Muro

As vezes me afasto da fronteira do meu ser que conheço; tudo corre relativamente bem, terreno plano, asfalto - coisa de humano, liso.

Sempre que me aproximo, espio cuidadosamente, descansando os olhos ressabiados em pensamentos; o outro lado parece perigoso. Lá o medo e os desejos são livres a caminhar, mesmo que rabugentos, sujos e violentos, existem sem sinal, não suficientemente claro, de opressão. Lá o amor, libertino, goza na boca do ódio; se amam.

O muro é alto. De vez em quando, no entanto, um ou outro já cansado de viver na sua respectiva banda, a custa da venda em parte do seu caráter, a trespassa. Já não é o mesmo, mas posso ver nos seus olhos, a sua origem; acolho à sua chegada.

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O muro tem sua razão, mesmo que não a entenda em toda a sua amplitude; de fato o aprecio. O tênue limite da suposta loucura; será esta loucura o não aceite dos meio imigrantes vendidos? Talvez o não aceite interno e externo, social, por comportamento dito anti-social, agrave o problema - mas este continua.

Saturday, 21 June 2008

O Ouvido e a Calma

Espero não é a palavra apropriada, às palavras, no entanto, irei nunca deixar a crueldade
de feitiços enfeitiçar.

A cada dia, lhe digo amigo, menos envergonhado me sinto de ouvir o meu ser, sereno; me pintar aos seus olhos o meu ser, sereno;

Afio o ouvir nos detalhes ínfimos e não-importantes, ao meu ouvir, no entando tudo ao seu ser; torno pando e curioso o meu mundo das pessoas e dos bandos;

So julgo se, e depois de, fi(a)zer parte de mim. Não necessito de regras e conceitos, a não ser os que alcanço com o não falar. Estes sim, dando significado as palavras, são eles os verdadeiros conceitos.

Palavras Adormecidas

Quase seis meses depois, novas palavras paridas no mundo. Às outras, não sei com certeza se continuam vivas. Algumas, no entanto, aguardam rascunhadas, espero que deitadas, brandas, em sono profundo. Além do mais, por ora não acredito que farão sentido algum agora.
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Figuras sem fotos, música sem sons, apesar de não fisicos, existem charmosas em outro lugar; também no sopro sincero da arte.

Friday, 7 March 2008

. . . dias de chuva

























dias de chuva, chovem porques . . .

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Monday, 3 March 2008

Não Intitulado

Enquanto deito, esperando o mundo se tornar cor-de-rosa, vou o pintando na minha mente.

Visto que, ao fim da festa,
ele não exista em outro lugar,
senão, em nossas cabeças.

Wednesday, 9 January 2008

Desculpa

Não sei ao certo se existe culpa, todavia, não consigo dizer desculpa que realmente me desculpe;

Sempre quando pronuncio: -desculpa, o digo para mim mesmo. Não importa quantas vezes a clame, será sempre insuficiente para que você realmente me desculpe;

Desculpe-ME

Tuesday, 8 January 2008

A promessa do Amar

A promessa do amar o outro não significa, em hipótese alguma, exclusividade, voto de continuar juntos, próximos, para todo o sempre;

Eu o possuo, o possuía segundos atrás;
Eu a tenho, a tive por alguns instantes;
Você me precisa, precisava num instante, vasto momento;

Amar é incluir, aceitar, entender, discutir e discordar, sempre em mente que independente da discordância, do objeto ou da origem, como humanos compartilhamos muito mais que distoamos; sempre.

Então me faça um favor: plurifique-o.