Tuesday, 11 December 2007

Carta-poema para Luan

Olhos sábios, superficialmente cansados, quase irónicos, sabia ele toda a sua historia, sabia ele, produto derivado do primeiro ser vivo ao longo da via historica que o trouxe aqui, que a vida não tem sentido sem a morte. O sofrimento, as agruras da passagem, uma faísca no tempo, a ligação do ser com o todo.

Mantenho a leveza, a ternura, quando posso não me deixo amargurar. Face a morte, a separação, brigas e decepções todas envenam o sangue, enrigecem os musculos, a gordura; atrofiam os pensamentos os deixando poucas opções. Nunca porque os caminhos não existem, apenas porque estão interrompidos, foram destruídos pela falta de compreensão, auto-conhecimento e amor.

Já a dez dias sem falar, tentar não mais desafiava. Movimentos, apenas os necessários, quando nem os necessários, a intenção. O corpo magro sempre encurvado como que se para morrer fossemos nos tornando fetos da nova vida.

Ser amigo, confidente, um pouco preocupado demais com as pessoas de quem gostava. Sentimento eminente inato de um possível abandono. Gosto pela rotina, a rotina do passeio pela manha, a rotina da possibilidade da porta se abrir, dos sons engraçados, dos dias e das noites.

O início, sempre difícil, aqui não se manisfetava diferente, a conquista da amizade, a casa cheia de estudantes não perdoava um pedaço de pão ou salame sorrateiramente "roubados". Dias chuvosos, pêlo molhado; pulgas, pêlo raspado.

Luan das cachoeiras e acampamentos, sempre companheiro, sempre amigo, sempre fiel. Um rasgo no tempo, uma colcha de retalhos, minhas lembranças agora. Correndo atrás do carro meio com medo, prática de exercícios, todo empoeirado! Nadando nos rios, vários, muitos rios, muitas trilhas, dormindo em muitas barracas, ao relento comigo. Luan de manhã após uma noite no pico do itacolomi sem barraca, correndo faminto atrás dos bagaços de mexerica que jogavamos fora, o suficiente para lembrarmos de alimentá-lo! Luan voltando para casa do controverso "morro dos cachorros", diz a lenda que de la os cachorros que sobem nunca voltam, ele não era um cachorro. Noite, não me lembro a temperatura, provavelmente um pouco frio, Daniel, Carneiro, Luan e uma garrafa de cachaça encabeçam em direção ao morro dos cachorros. Todos, exceto a garrafa de cachaça, haviam estado antes lá. Na esperança de chegar ao cume, o que não era tão fácil com a noite e a sede, voltaram por todos os caminhos estreitos, porteiras, rodovias, ruas e cruzamentos, esquecidos do Luan, que os esperava na porta de casa!

Nas festas das republicas do morro, assim as chamavamos, não eram o ambiente mais agradável para Luan, mas estava ele sempre por lá correndo atrás de algum rabo de saia na vã esperança de conseguir um naco de carne. Ou já cansado, acolhido por alguma república, de procurar por conhecidos. Sua cama eram três, três ou quatro pares de pés, Ivang, Danielo, Marcelo e eu. A beliche não era fácil, mas nada que um pulo pela manhã acordando Ivan para o xixi matinal atrapalhasse.

Tudo envolvo a latidos frenéticos entusiasmados a mera ínfima possibilidade de um passeio, de uma brincadeira. Tinhamos que o cessar dos latidos seria o sinal, o aviso para quem quisesse se despedir que o fizesse logo.

Os tempos na cidade grande já não foram os mais agradáveis, pelo menos no meu pensamento pré-moldado. Morar em um apartamento, como os seres humanos, aprisionados, não parece tão bacana quanto em uma casa de portas abertas. Para ele, não sei se achava muito diferente, a felicidade inabálavel com a brincadeira do passeio se perpetuava! Assim como o amor, a proximidade, pelos que com ele moravam, conosco.

O sentimento é bom agora. De fato não pude ver Luan nos seus últimos momentos, nem sua cova, nem as rosas e a promessa de uma árvore com frutos. Não vi não conseguir se levantar, o se calar e o jejuar. Não vi os vômitos, não fiz comida, não bati ração com vegetais para lhe dar de comer na seringa, não fiz chá de cabelo de milho para diminuir sua ureia, não cherei o fedor ríspido de ureia da sua boca, não o levei ao veterinário, não presenciei a Pita doando seu sangue jovem e sua, mesmo que ligeira melhora, não o vi tentar se levantar para ir ao banheiro e cair antes de acabar no seu próprio mijo, não o vi contorcer com sua barriga dura, nem o pús nos seus olhos. Não estava quando a Pita veio lhe visitar. Não vi nenhuma lágrima, das muitas derramadas, entornei no entando, algumas. Não o vi também se esticar, como que oferecendo suas veias, não ouvi o perguntar meio desesperado: "Porque voce esta fazendo isso, Luan?", para que o veterinário lhe aplicasse a anestesia.

Não vi nada disto mas entendi e ouvi das pessoas, minha mãe e irmãs, que o fizeram...

Um pouco da história para guardarmos toda a bondade, felicidade e sabedoria que Luan trouxe a todos que o conheceram.

Sunday, 2 December 2007

Movimento

Friso meus olhos,
vä tentativa de enajular algum pensamento.

Astutos, hiperativos,
näo nasceram para ficar parados.

Como a escrita, apesar de estatica,
sempre ganha vida nova a cada nova lida.

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Existe algo realmente imóvel, inerte?
Se existir provavelmente esta bem longe daqui.

Wednesday, 7 November 2007

Fadinha no Tempo

Uma fadinha passou e ficou um tempo por aqui. O tempo então parou, mesmo sabendo exatamente quanto se passou...

A esperança, a qual nunca se acaba mas entorta, contorce e pisca, é que onde existir vida, desejos solitários, desejos comunitários e espaço para os realizar mesmo que seja um mero tentar, há espaço para a alegria.

Mágica mistura, fadinha lulu.

Morte do Ze'

Entre um piscar e outro entornei meu olhar, como se já sabia o que me esperava, sobre toda a cena que descreverei agora.

O espaco externo era área basicamente industrial onde se encontram também, algumas edifícios, a maioria abandonados, mas não muitos. Estavamos em um posto de gasolina, provavelmente viajando; eramos três, ate onde me recordo, eu, renata e o seu namorado, digo, seu antigo namorado. Apesar de estarmos cercados de cinzas, indústrias e edifícios, estes não se caracterizavam como algo que preencha qualquer espaço interno. Era como se estivéssemos no sertão, quente, vazio, seco, onde as leis do estado e o estado ainda naum chegaram, morreram de sede. Onde as pessoas, talvez pela dura casca, sejam mais difíceis de alcançar.

Os entre-espacos estavam um turbilhão: divergências, idéias, tentativas de quebrar a inércia, achar o caminho correto e outras sequências de pensamento da mesma natureza que residem mais no espaco interno, mas sao definitivamente importantes para o espaco-entre-os-espacos.

De qualquer forma, enquanto me focava na face do ze' que dizia: "estamos bem, tenho uma ideia!" seu corpo era dilacerado por um caminhao que corria em alta velocidade na rodovia. De relance vi seus restos, não quis olhar, comecei então a andar no acostamento, sem muito desespero, sem muitas coisas na cabeça, continuei andando até acordar...

Monday, 5 November 2007

Paredes

Cumprimentar cachorros, aves, lesmas, árvore e postes pelo caminho, muitas vezes é mais gratificante que dizer olá à paredes em movimento.

A mesmo que, em dado instante, algum momento os transforme em movimento (ou vice-versa).

Saturday, 20 October 2007

AE - Numero 1

... de um lado para o outro, o outro não pode ver o um, a não ser que vire a cabeça. Lentamente começo a mexer os olhos, as imagens ainda sem foco por não mais que alguns milésimos de segundo. Pensamentos como barcos no oceano vem e se vão rapidamente, alguns consigo perceber a silhueta, suas cores e velocidade, menos ainda são os consigo me lembrar. Será que consigo piscar o meu ouvido? Talvez fisicamente requeira alguma prática ou talvez, como alguns apontam verdade cintífica, apitidão genética. Mas em um certo sentido consigo piscá-lo, se me focar, digo esquecer do outro lado e somente escutar do um. E se rodar os meus olhos em direcões opostas, acontecerá algo diferente? Então o faço. Nada, aparentemente, mas a dúvida sempre emergente. Será falta de foco ou sensibilidade, ou mera realidade comprovada? Acabo por pensar que experimentos realizados com pensamentos nascem, crescem e morrem em somente uma realidade específica, uma cabeça. Conseguimos porem realizar estes experimentos em um ambiente controlado quando isolamos certas variáveis, que obviamente são também pensamentos. Talvez a preparação inicial do ambiente seja como os budistas comecam, pelo vazio. Mas sem dúvida somente o vazio é completamente vázio e não suficiente, apesar da sua conexão com o todo. Sim, talvez não seja necessário ambiente completamente controlado e vazio, mas apenas com menos variáveis, ou pelo menos a consciência delas. Já acordado, hoje não por meu despertador, que também serve de celular, mas por estes pensamentos, percebo que quero dar vida a algum experimento, com certeza diferente de mim, mas com algumas similaridades. No entanto, qualquer semelhança com a realidade não deve ser confundida com a própria nos próximos episódios de AE.

Wednesday, 3 October 2007

Outro processo?

Deitado, pesdescalços, olhos fechados, mente aberta tentando se fixar, ao mesmo recordar do sonho ao amanhecer do dia. Um amigo, Guilherme, a muito não vejo, penso as vezes nem preciso, chegara na cidade.

Penso agora: entre uma memória e outra, o espaço, preenchemos com nós mesmos. Desta forma, meio por acaso, singulamos a nossa história.

Andando por becos, ruelas, sempre conversando, estavamos procurando algo. Era objeto grande, de utilidade, como uma casa, um bar, um lugar. Já meio cansados e perdidos decidimos ao acaso pedir informação. Lugar muito não havia, apenas esperanças, como a pequena porta caida à grande escadaria que se abria. Sem muitas palavras entramos. A casa não tinha portas, os quartos eram como salões escavados, as cores, frias, as palavras ecoavam sem respostas. Meio assustados decidimos abandonar o recinto quase ao mesmo tempo em que escutavamos alguém subindo pelas escadas e vissemos alguém saindo de um dos quartos. Completamente embarassados tinhamos poucas palavras, menos ainda frente ao discurso fluente dos nossos novos companheiros.

O que andam fazendo em moradia particular desconhecida como esta? Existe alguma razão senão as mal intencionadas que me veem a cabeça? Promptamente, a resposta na ponta lingua soando como uma desculpa: Não podemos sair. Vocês tem que pagar pelo menos o seguro já que não temos certeza se levam consigo alguma coisa de dentro da casa. Levamos lembranças, informações, pensei, mas não temos o dinheiro.

Não os conhecia, não os queria perto, disse então: vamos à uma delegacia de polícia. Já eram duas ou três da manhã, mas os homens concordaram sem pestanejar como se estivessem completamente corretos. Rapidamente estavamos todos dentro de um carro muito velho dirigido com dificuldade por um dos acusantes. Antes que o carro parasse por mal funcionamento ou cuidado descemos em um lugar bonito. Completamente descampado, onde correr não fazia nem sentido, corremos bastante, talvez na vã tentativa de escapar; não escapamos. Voltamos para a casa, Guite já estava lá dentro, eu ainda hesitava em entrar. Um dos inquisidores muito calmamente me convencia que não havia outra opção, eu sem conseguir enxergar outra saída, entrei.

A sua gloriosa satisfação

Tudo certo, folhas já caidas, o dia ainda manso, eu tentando voltar para casa... digo tentando mas o tentar não durou mais que alguns minutos já que as opções não eram estranhas para mim. As cinco e meia da matina achei um onibus especial que, apesar de caro, me deixaria a 20 minutos de casa. Enquanto esperava resolvi conversar um pouco com o vendedor de tickets. Fato ocorrido não porque o quase automato exibisse qualquer traço amigavel, mas sim pelo oposto fato. Sua face inóqua nunca sorria, muito menos se contorcia em desgosto, como um rôbo ele respondia as peguntas a ele direcionadas seguindo, até onde conseguia perceber, precisamente todas as regras previamente a ele atribuidas. Começei então uma daquelas conversas totalmente impessoais, inicialmente sem sentido, superficialmente sem razão, perguntando se ele tinha comecado o trabalho agora ou estava terminando. A conversa continua:

- Comecei às 5 da manha, boa hora para comecar não eh?
- Eh, boa hora, começando cedo termina cedo.
- Não, termino sempre tarde.
- Bacana, assim você pode ter mais folgas ou mais dinheiro no bolso.
- Não trabalho por dinheiro, trabalho por satisfação;
- Éh, mas precisamos do dinheiro (achei quw ele estava brincando apesar da sua face inalterada)
- Precisamos, mas não devemos trabalhar PELO dinheiro (pensamento magnífico, compartilhado por mim, que sempre tento o colocar em prática)

Então eu disse que concordava plenamente já sem entusiasmo. Um pouco antes de embarcar ele disse mais alguma coisa que eu não entendi, olhei para as suas palavras completamente exausto, não era hora para as compreender.

De cima a baixo o que restou em mim não foi mais que infelicidade. Satisfação pessoal lida em livros de auto-ajuda, não sei. Outra forma de satisfação, sei menos ainda. Desde que não consegui ler, aparte do vazio, você.

Sunday, 23 September 2007

Receita de Tomate com Ovos

Bom, para naum esquecer vou colocar esta rapida receita de tomates com ovos geralmente cozinhada e saboreada pela manha/tarde aos domingos ou sabados por mim e Lu. Como tudo neste blog, naum sei se vou ler uma segunda vez, de qualquer forma, acho que para esta receita sim!

Tomatoes with eggs

The Greek cookery writer Rena Salaman mentions that the word for this dish used in Corfu - strapatsatha - comes from the Italian verb strapazzare, meaning to beat. Eggs and tomatoes are natural best friends, and although olive oil is the obvious cooking medium, I use a little butter as well. It adds even more opulence to the already florid nature of Greek tomatoes that have ripened and fattened fit to bust in the sun.

3 tbsp olive oil
50g butter
500g ripe tomatoes, peeled and chopped
Sugar, salt, pepper, rigani (Greek oregano)
4 eggs, lightly beaten

First select a frying pan in which you can serve this dish. Heat the oil and melt the butter in the pan, then add tomatoes and seasonings, including a pinch of sugar. Cook slowly until the mixture lets down into a thickish sauce. Taste and adjust the seasoning.

Lightly beat the eggs with a pinch of salt and pepper, and stir into the tomato pan. Using a fork, drag it around the tomatoes and eggs until curds like scrambled eggs form. Serve with toasted or olive oil-brushed grilled bread for dipping.

Saturday, 1 September 2007

Uma Sessão de Música Tradicional Irlandesa

Quinta-feira, já anoitecendo, depois de todas as minhas atividades cumpridas me dirigi, cruzando todas as ruas, ja meio vazias, a um pub chamado "The Cobblestone". Ouvira a alguns meses atrás ser um lugar de boas "sessões" de música. Como já havia visitado este mesmo pub, a as vezes difícil tarefa de encontrar o local não foi problema, pude então me concentrar em observar os antigos edifícios, agora quase todos reparticões públicas e afins. Ao me aproximar do local os edifícios comecaram a se tornar mais esparsos, as ruas mais sujas, as pessoas mais estranhas e, talvez por ja estar anoitecendo, os lugares maiores e vazios.

Tudo meio silencioso, avistei meu destino, passei por duas pessoas conversando na entrada, abri a porta, a sessão já havia começado. Me dirigi direto ao balcão, como de praxe não pude resistir, e porque iria, a uma grande "pint" (copo grande) de cerveja, no caso negra sem gás, produzida pelos arredores.

O pub, aconchegante refúgio da ventania vázia detrás, não estava muito cheio, me sentei bem perto dos músicos ao lado do balcão. Haviam neste momento cinco pessoas a musicar: três diferentes mulheres tocando violino (fiddle) e dois homems de meia idade, um tocando algo barecido com um banjo, o outro fiddle. Uma das mulheres, sorriso e jovialidade aparentes, a outra sempre muita atenta, olhos abertos, a última quase não se mexia, sem muito enstuasiasmo, com olhos fechados, a música fluia.

A música tocada eu já bem conhecia de sessões anteriores, sempre instrumental, minimalísta no sentido que pequenos "blocos ou padrões" musicais se repetem com frequencia e incremental pois a cada momento um novo instrumento ou padrão é adicionado a melodia corrente. As peças sempre bem melódicas e longas.

A cada longa música um novo músico se juntava ao grupo, que a cada momento se deixava levar pelos encantos da sequência melódica corrente. Em certos sentidos estas sessões são muito parecidas com as de chorinho que costumava frequentar no "bip bip", Rio de Janeiro.

Outro grupo, um homem com duas filhas adolescentes, a leveza e despretensão com certa timidez movem o arco do violino e o pequeno acordeon, dedos ágeis desabrocham. O pai toca um grande, difícil, em vários sentidos, e imponente instrumento, uma gaita de fole irlandesa.

A música vai se tornando mais densa, momentos mais ágil, difícil de escapar. Minha adimiração transparece timidamente em algumas palavras trocadas com as pessoas ao redor, muito amigáveis por sinal.

Os copos já vazios são repostos sem muita cerimônia, as mocinhas bebem coca-cola, todos bebem da mesma música. Os músicos não param de chegar, duas flautas transversais, duas flautas "doces", mais um violino, um violão, menos um banjo, mais uma viola. Todos tentam se acomodar no pequeno espaço do pub reservado a eles e aos outros.

Depois de muita música, alguma conversa, cabeça limpa, me levantei em direção à porta, troquei algumas palavras com um joven (gaita de fole) esperando para se juntar a sessão, que continuava meio sem hora para terminar. A noite não estava muito fria, mas dediquei passos largos ao meu próximo destino: casa e Lu.

Thursday, 16 August 2007

Sonho da Planta Lagarto

Vou contar apenas os fatos, desde que as conclusoes podem surgir de todos os lados e qualidades. Sempre achei que sonhos contam sobre fatos pessoais muitas vezes com mais profundidade que meras descricoes de sentimentos. Talvez por nos contar atraves de alogorias.

Quando, entao, abri a porta da desconhecida geladeira a procura de algo. Nao me lembro com exatidao o que procurava, mas sim que abri uma prateleira que naum era minha. Achei um tecido curioso, nao pela sua constituicao mas unicamente pelo fato de se encontrar dentro de uma geladeira. Comecei a puxa-lo lentamente para fora da pequena gaveta.

Obviamente era muito maior, pesado e denso que uma simples gaveta pode suportar. Percebi entao que havia alguma "coisa" agarrada por entermedio de espinhos na minha blusa. Tentando me mexer e retirar o estranho objeto, percebi que este nao era um objeto e sim um ser vivo (considerando que algo entre uma planta e um animal é um ser vivo) que se mexia lentamente no sentido de se agarrar cada vez mais no tecido da minha roupa. Era parecido com uma lagarta coberta por longos espinhos quase negros ao longo de quase todo o seu corpo cilindrico.

Um pouco assustado o animal me machucou um pouco. A cada movimento do meu corpo ele mais se aconchegava. Percebi que seu corpo cilindrico nao era completamente cheio de espinhos, havia um pequeno espaco perto do seu fim, pois acredito que nao vi a sua cabeca, onde nao existiam espinhos. Comecei a tentar remove-lo segurando levemente neste espaco sem muito sucesso. Ja bastante cansado e sem esperancas de descanso proximo, desde que naum me restavam muitas posicoes de descanso, comecei entao a chamar alguem para me ajudar.

Neste momento percebi que estava em uma casa grande com varios quartos. Me lembro de ter chamado, pelo menos, pela minha mae.

Engracado me lembrar destes sonhos (deste e de um outro este fim de semana - hei de postá-lo por aqui) pois naum costumo me lembrar dos mesmos.

Saturday, 21 July 2007

A procurar

procurando entender
procurando ser profundo sem ser imundo
procurando um sentido
procurando não queimar palavras cheias de sentido

cansado de almejar, o tempo de procurar passou;
com fome, sede ou para onde apontar seu desejo,
facilita a procura quao menos abstrato (se mostra o desejo).

se há sentido (questão)
mesmo falido, há sentido.
(qualquer que seja a procura)

ja diziam os que mais fundo procuraram:
quando nos aproximamos do sem sentido,
o sentido se torna claro.
Agora quase obvio...

Sunday, 15 July 2007

A Inexoravál Complexidade do Movimento

Resumindo em apenas um dia muito pensar... Vou tentar lhes contar sem apenas oferecer conclusoes rapidas que geralmente naum significam nada pois estao por demais descontextualizas.

De qualquer maneira, se isto naum fizer sentido algum, as palavras servem 'a dialetica. Acordei hoje com os ouvidos em pe, atentos em algo sem importancia, ou pelo menos assim parecia ser. Virando lentamente para o lado voltei a dormir, logo, sem muita paciencia de espalhar meu tempo na cama, ainda maior sem a Luciara em ocasiao da sua viagem vibrante para o Brasil, levantei-me prontamente. Em poucas horas sem ter o que dizer a ninguem fiz um cafe da manha sem muito capricho, deitei um pouco ao sol, melhor dizendo aos poucos raios de sol que conseguiram chegar ate aqui e continuei pensando em um novo/velho tema para mim chamado emergencia. Como comportamento complexo surge da iteracao entre pequenos ou grandes automatos, mas isto talvez seja conversa para outro capitulo. Pensei em passar algumas roupas, arrumar a casa e outras tarefas corriqueiras tambem dignas de serem feitas aos sabados e domingos, mas decidi ir ao museu de arte moderna de dublin por alguns motivos, dentre eles eh bem perto da nossa casa e parece interessante.

Assim dito, apos algumas dezenas de minutos gastos em pequenos devaneios pela casa, me vesti e fui. A caminhada muito agradavel assim como a chegada no museu. Logo quando passei pela portaria pude ver varias armacoes como camas com algumas roupas em volta em uma area aberta do museu. Apos me acalmar vendo algumas pinturas, muito boas por sinal, fiquei sabendo ser uma performance que iria dar inicio em 15 minutos. Rapidamente comecei a pensar como a minha interacao com o mundo eh significante e o acaso, bem o acaso... Sentei em um dos bancos ao lado de um senhor que logo comecou a conversar comigo em ingles muito claro. Erroneamente o classifiquei como britanico pois a irlanda eh sua terra natal e cork a cidade onde nasceu. Enquanto conversavamos comecou a chover progressivamente e a performance que demorou todo o dia para ser organizada pareceu ser mixada pela tao importante e imponenente chuva para a surpresa de todos os expectadores, que naum eram muitos.

Fui entao ver outras exposicoes que me interessavam, alguns videos, instalacoes e obras muito
interessantes. Com a mente mais clara fiquei um tempo a olhar por uma janela do segundo andar todo o trabalho que os performistas tiveram e como, em um certo sentido, aquilo tambem era uma obra de arte. Entra agora em cena um garoto, provavelmente filho de algum dos artistas, conversando um pouco sobre o tempo que eles demoraram para fazer a instalacao e as esperancas para mais tarde. Ele tambem disse que ao final eles poriam fogo na palha que dormia debaixo dos lencois. Pensei como esta historia esta ficando interessante: a chuva quase apagando o fogo que por coincidencia ainda naum tinha sido aceso. Como chegou ele se foi, parecendo ser chamado artur.

Fiquei pensando como eh bom estar ali apreciando ar puro, sem preocupacoes. Mas pensando o que eu faria a noite, naum me entusiasmei com nenhuma das possibilidades que vieram a minha cabeca. Pensei, de verdade amigos, poderia ser bacana ir a alguma festa mais interessante que os pubs cheios de alchool e vazios na alma.

Decidi, sem muito espaco de escolha desde que o museu iria fechar, ir embora... Ja um pouco cansado do ingles queria perguntar para a recepcionista se a performance ainda seria realizada e quando... Achei a pergunta dificil, desisti e desisti de desistir em poucos segundos. Me direcionando a recepcionista comecei a fazer a pergunta mas estava dificil de comecar a falar, as vezes me sinto novamente assim com o ingles, como nos tempos de maior dificuldade de me comunicar. Mas com um pouco de paciencia e espera fiz a pergunta. Ela muito atenciosa disse que sim as 8 da noite. Fiz uma cara feliz. - Mas eh uma festa particular. Estranhei. Apos alguns segundos... - Mas se vc quiser este e' um convite. Ela entao me deu um convite quadrado tamnaho A5 "rosa choc" com direito a performance, petiscos, e provavelmente uma noite agradavel.

Em uma das exposicoes lia-se:

Was it destiny
I don't know yet
Was it just by chance? Could this be kismet?
Something in my consciousness told me you'd appear
Now I'm always touched by your presence

É ir alem dos limites possiveis à nossa capacidade atual interpretativa ousar pensar, não decifrar, esta soa demais desrepeitosa, na complexidade inerente aos nossos movimentos (este é claro inclui os pensamentos que modificam o estado interno) e ate onde eles modificam o estado natural em um próximo momento.

O inicio do Momento

Apenas um movimento, um lugar em meio ao momento;
Figuras congelam o momento, mas nunca o lugar em meio ao movimento.
Lhes trago as figuras; o momento?
Este talvez somente entre um e outro pensar

É ir alem dos limites possiveis à nossa capacidade atual interpretativa ousar pensar, não decifrar, esta soa demais desrepeitosa, na complexidade inerente aos nossos movimentos (este é claro inclui os pensamentos que modificam o estado interno) e ate onde eles modificam o estado natural em um próximo momento.

Comeco este blog me deixando estremecer, entrelacar, parar estatico sem olhar 'as palavras deleitar.

Sejam todos bem vindos.