Wednesday, 3 October 2007

Outro processo?

Deitado, pesdescalços, olhos fechados, mente aberta tentando se fixar, ao mesmo recordar do sonho ao amanhecer do dia. Um amigo, Guilherme, a muito não vejo, penso as vezes nem preciso, chegara na cidade.

Penso agora: entre uma memória e outra, o espaço, preenchemos com nós mesmos. Desta forma, meio por acaso, singulamos a nossa história.

Andando por becos, ruelas, sempre conversando, estavamos procurando algo. Era objeto grande, de utilidade, como uma casa, um bar, um lugar. Já meio cansados e perdidos decidimos ao acaso pedir informação. Lugar muito não havia, apenas esperanças, como a pequena porta caida à grande escadaria que se abria. Sem muitas palavras entramos. A casa não tinha portas, os quartos eram como salões escavados, as cores, frias, as palavras ecoavam sem respostas. Meio assustados decidimos abandonar o recinto quase ao mesmo tempo em que escutavamos alguém subindo pelas escadas e vissemos alguém saindo de um dos quartos. Completamente embarassados tinhamos poucas palavras, menos ainda frente ao discurso fluente dos nossos novos companheiros.

O que andam fazendo em moradia particular desconhecida como esta? Existe alguma razão senão as mal intencionadas que me veem a cabeça? Promptamente, a resposta na ponta lingua soando como uma desculpa: Não podemos sair. Vocês tem que pagar pelo menos o seguro já que não temos certeza se levam consigo alguma coisa de dentro da casa. Levamos lembranças, informações, pensei, mas não temos o dinheiro.

Não os conhecia, não os queria perto, disse então: vamos à uma delegacia de polícia. Já eram duas ou três da manhã, mas os homens concordaram sem pestanejar como se estivessem completamente corretos. Rapidamente estavamos todos dentro de um carro muito velho dirigido com dificuldade por um dos acusantes. Antes que o carro parasse por mal funcionamento ou cuidado descemos em um lugar bonito. Completamente descampado, onde correr não fazia nem sentido, corremos bastante, talvez na vã tentativa de escapar; não escapamos. Voltamos para a casa, Guite já estava lá dentro, eu ainda hesitava em entrar. Um dos inquisidores muito calmamente me convencia que não havia outra opção, eu sem conseguir enxergar outra saída, entrei.

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