Tudo certo, folhas já caidas, o dia ainda manso, eu tentando voltar para casa... digo tentando mas o tentar não durou mais que alguns minutos já que as opções não eram estranhas para mim. As cinco e meia da matina achei um onibus especial que, apesar de caro, me deixaria a 20 minutos de casa. Enquanto esperava resolvi conversar um pouco com o vendedor de tickets. Fato ocorrido não porque o quase automato exibisse qualquer traço amigavel, mas sim pelo oposto fato. Sua face inóqua nunca sorria, muito menos se contorcia em desgosto, como um rôbo ele respondia as peguntas a ele direcionadas seguindo, até onde conseguia perceber, precisamente todas as regras previamente a ele atribuidas. Começei então uma daquelas conversas totalmente impessoais, inicialmente sem sentido, superficialmente sem razão, perguntando se ele tinha comecado o trabalho agora ou estava terminando. A conversa continua:
- Comecei às 5 da manha, boa hora para comecar não eh?
- Eh, boa hora, começando cedo termina cedo.
- Não, termino sempre tarde.
- Bacana, assim você pode ter mais folgas ou mais dinheiro no bolso.
- Não trabalho por dinheiro, trabalho por satisfação;
- Éh, mas precisamos do dinheiro (achei quw ele estava brincando apesar da sua face inalterada)
- Precisamos, mas não devemos trabalhar PELO dinheiro (pensamento magnífico, compartilhado por mim, que sempre tento o colocar em prática)
Então eu disse que concordava plenamente já sem entusiasmo. Um pouco antes de embarcar ele disse mais alguma coisa que eu não entendi, olhei para as suas palavras completamente exausto, não era hora para as compreender.
De cima a baixo o que restou em mim não foi mais que infelicidade. Satisfação pessoal lida em livros de auto-ajuda, não sei. Outra forma de satisfação, sei menos ainda. Desde que não consegui ler, aparte do vazio, você.
Wednesday, 3 October 2007
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